A Germinal Consultoria costuma utilizar, em alguns de seus programas, exercícios para desenvolver a capacidade de ouvir e liberar a fala espontânea. O exemplo a seguir é um excerto do manual do docente, da oficina Comunicação Oral e Escrita, do Programa Jovem Aprendiz Rural, elaborado pela Germinal. Algumas adaptações no texto foram feitas para ajustá-lo a esta postagem.
I. Ouvir bem para comunicar bem
Receba os participantes na porta da sala. Cumprimente-os um a um, de acordo com o nível de convivência que tiver com o grupo. Procure chamar cada um pelo nome. Se for o seu primeiro contato com o grupo, apresente-se e procure saber o nome de cada um. Tente, durante toda a sessão, memorizar o nome de cada participante. Isso vai ser importante para atividades da segunda sessão.
Solicite que escolham uma cadeira para sentar, dentre as dispostas em semicírculo, previamente arrumadas em quantidade idêntica ao do número de participantes. Peça que todos os participantes leiam, de forma individual e silenciosa, o texto de apoio: O Difícil Facilitário do Verbo Ouvir.
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O DIFÍCIL FACILITÁRIO DO VERBO OUVIR Artur da Távola Um dos maiores problemas de comunicação, tanto a de massas como a interpessoal, é o de como o receptor, ou seja, o outro, ouve o que o emissor, ou seja, a pessoa, falou.
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Após a leitura, estimule comentários dos alunos a respeito da compreensão que tiveram da leitura. Pergunte sobre situações que vivem no dia a dia e que estão próximas às situações relatadas no texto. Constate com o grupo como é difícil ouvir e ser ouvido, nas mais diferentes situações. Ressalte a importância do ouvir para a fluidez da comunicação. Proponha, a seguir, um exercício de audição que irá aplicar as sugestões apresentadas pelo texto.
Informe os alunos que irão ouvir uma música de forma diferente. Ouvir realmente a letra da música, procurando apreender todo o seu significado, sem que nada se sobreponha à audição. Para isso, como sugere o texto, é necessário limpar a mente dos pensamentos, preocupações, ansiedades, enfim de todas as interferências que atrapalham o ato de ouvir.
Solicite que todos se coloquem numa posição confortável e fechem os olhos. Depois, com calma, oriente a respiração. Peça que inspirem profundamente e expirem de maneira concentrada, com toda a atenção no ato da respiração. Peça que atentem para o ritmo, a profundidade e para o som da própria respiração. Se houver barulho externo que impeça ouvir a respiração, peça para concentrarem a audição nos barulhos externos simplesmente.
Oriente, em seguida, para todos procurarem manter a mente “limpa” para ouvir a música. Só então acione o aparelho de som para começar a audição da canção Padrão, interpretada por Caetano Veloso. É pouco provável que alguém do grupo a reconheça.
(Padrão é uma música feita a partir de um poema de Fernando Pessoa, extraído do livro Mensagem e disponível no CD de mesmo nome. O significado da palavra Padrão está relacionado ao “marco” deixado pelos antigos navegadores nos lugares por eles descobertos. Ver em: Pessoa Fernando. Obra Poética, Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 1986, pág 79).
Ao final da audição, peça que todos abram os olhos e, devagar, retomem suas posições. Pergunte-lhes sobre a experiência de ouvir. Conseguiram apreender algum sentido da letra da música?
O mais provável é que o grupo, com uma ou outra exceção, tenha tido muita dificuldade para manter a atenção concentrada apenas na música durante todo o tempo da audição. Discuta com eles essa dificuldade; as inúmeras interferências do pensamento atrapalhando a audição. Relacione essas mesmas dificuldades com a comunicação verbal entre as pessoas, tal como explica o texto de Arthur da Távola. Solicite, então, que façam uma leitura silenciosa do poema Padrão.
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PADRÃO Eu, Diogo Cão, navegador, deixei Este padrão ao pé do areal moreno E para diante naveguei. Este padrão sinala ao vento e aos céus Que, da obra ousada, é minha a parte feita: O por-fazer é só com Deus. E ao imenso e possível oceano Ensinam estas Quinas, que aqui vês Que o mar com fim será grego ou romano: O mar sem fim é português. E a cruz ao alto diz que o que me há na alma E faz a febre em mim de navegar Só encontrará de Deus na eterna calma O porto sempre por achar.
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Estimule, depois da leitura, comentários sobre o tema do poema. Pergunte como o poema se relaciona com o trabalho que estão desenvolvendo no Projeto de Vida e na Oficina Aprender a Aprender. A partir da experiência desta conversa, chame a atenção também para a importância do falar: o tom utilizado pode provocar diferentes reações, inclusive de aceitação ou repulsa; a ênfase colocada no significado; a força da mensagem que pode perder ou ganhar com a forma como é falada, etc. Ou seja, a forma como se fala interfere na recepção da mensagem.
Encerre o exercício de audição propondo que os aprendizes coloquem em prática, a partir de agora e em todas as situações possíveis, o que estão aprendendo sobre ouvir e falar.




Adorei a página,sou psicóloga e achei o conteúdo ótimo, além de adorar as poesias. Vou aplicar com um grupo de mulheres. Obrigada e um abraço.
Obrigada isso me ajudou muito com as atividades da escola eu estava fazendo um trabalho e precisava de uma dinâmica aqui esta foi ótimo eu estou planejando mais aulas assim pq relaxa e acabo ficando sem aula das outras matérias vou sempre utilizar o seu site