MADRIGAL MELANCÓLICO

 

Poster do filme Basquiat

Neste poema, Madrigal Melancólico, Manuel Bandeira faz uma declaração de amor bastante singular. Nega-se a atribuir valores absolutos para qualidades como a beleza, a inteligência, a espiritualidade, o instinto maternal, e outras, ao mesmo tempo em que realça-as em seu conjunto na pessoa amada. Especialmente em relação à beleza, coloca-a como um conceito e como algo triste por ser frágil e incerta.

 

 

Este enfoque do poema, o da beleza,  foi o mote para uma discussão sobre a abordagem de um Estação de Trabalho (oficina, curso) de Apresentação Pessoal, Moda e Beleza. Usado na  introdução da Estação de Trabalho, ele serviu fundamentalmente para quebrar a expectativa de que regras da boa apresentação estão todas postas, basta conhecê-las com profundidade para não errar nunca. A partir daí, a opção foi abordar e discutir a apresentação pessoal de forma mais abrangente e dinâmica, abandonando as regras estéticas rígidas do certo e errado, que existem dissociadas da individualidade das pessoas. Tal qual o desfecho do poema, buscou-se privilegiar, acima de tudo, a vida!

 

 

“O Que Eu Adoro em ti,

Não é a tua beleza.

A beleza, é em nós que ela existe.

 

A beleza é um conceito.

E a beleza é triste.

Não é triste em si,

Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

 

O que eu adoro em ti,

Não é a tua inteligência.

Não é o teu espírito sutil,

Tão ágil, tão luminoso,

– Ave solta no céu matinal da montanha.

Nem é a tua ciência

Do coração dos homens e das coisas.

 

O que eu adoro em ti,

Não é a tua graça musical,

Sucessiva e renovada a cada momento,

Graça aérea como o teu próprio pensamento.

Graça que perturba e que satisfaz.

 

O que eu adoro em ti,

Não é a mãe que já perdi.

Não é a irmã que já perdi.

E meu pai.

 

O que eu adoro em tua natureza,

Não é o profundo instinto maternal

Em teu flanco aberto como uma ferida.

Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.

O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!

O que eu adoro em ti, é a vida”

 

Bandeira, Manoel, Madrigal Melancólico, in: Poesia Completa e Prosa / O Ritmo Dissoluto, Rio de Janeiro. Editor Nova Aguilar, 195, p.189.

 

 

Clique aqui para abrir a página Discussão de uma Abordagem de Apresentação Pessoal com Madrigal Melancólico. O texto foi retirado da Introdução da Estação de Trabalho de Apresentação Pessoal, Moda e Beleza, de uma versão alternativa do PET – Programa de Educação para o Trabalho – elaborada pela Germinal Consultoria.

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