PROFISSÃO DO POETA

 

O poema Profissão do Poeta define um tom, marca uma posição, inaugura um encontro, ilumina uma proposta… Convida para a caminhada,  sempre a mais de um.

Assim, o poema pode funcionar como aquecimento inespecífico para um situação de aprendizagem ou para iniciar uma  dinâmica onde ser verdadeiro é importante, por exemplo. Também pode ser usada para introduzir  a apresentação do professor em um início de curso ou de encontro de aprendizagem.

 

Profissão do Poeta (excerto)

 

Operário do canto, me apresento

sem marca ou cicatriz, limpas as mãos,

minha alma limpa, a face descoberta,

aberto o peito, e – expresso documento –

a palavra conforme o pensamento.

 

Fui chamado a cantar e para tanto

há um mar de som no búzio de meu canto.

Trabalho à noite e sem revezamentos.

Se há mais quem cante cantaremos juntos;

sem se tornar com isso menos pura,

a voz sobe uma oitava na mistura.

 

Não canto onde não seja a boca livre,

onde não haja ouvidos limpos

e almas afeitas a escutar sem preconceito.

Para enganar o tempo – ou distrair

criaturas já de si tão mal atentas,

não canto…

Canto apenas quando dança,

nos olhos dos que me ouvem, a esperança. 

 

 

Geir Campos. A Profissão do Poeta. In: Fernandes, Millor e Rangel, Flávio. Liberdade, Liberdade. São Paulo, L&PM, 1987, p. 22.)

 

 

Clique aqui para abrir a página PROFISSÃO DO POETA na construção de um texto,  retirada do blog Germinal Educação e Trabalho – Escritos nossos e de outros. O autor utiliza o poema como linha condutora na construção da argumentação de todo o texto. Essa utilização do poema exemplifica outra possibilidade, além das citadas anteriormente.

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