A Arte de Ser Feliz

 

Max Liebermann

Algumas pessoas saem da escola sem a habilidade de escrever com fluidez e simplicidade sobre um assunto qualquer, mesmo os da vida cotidiana, por mais familiar ou corriqueiro que seja. Essa competência fundamental precisa ser desenvolvida, estimulada, exercitada, praticada, assim como todas as capacidades.  Escolher ou criar uma estratégia para  estimular e facilitar a prática da escrita requer cuidado especial por parte do educador.

A experiência educacional, inclusive com jovens, tem demonstrado que a mobilização individual para a escrita acontece, de forma muito efetiva, quando a pessoa é desafiada, estimulada, inspirada a escrever sobre coisas dela mesma, de sua vida real. E os poemas, textos poéticos e literários de forma geral podem constituir um ponto de partida significativo para essa mobilização. O texto poético a seguir, abordando sensações e sentimentos individuais sobre detalhes de pequenos eventos do dia a dia, pode ser um bom exemplo.

Um bom exercício pode ser a solicitação de uma paráfrase  a partir de A Arte de Ser Feliz, de Cecília Meireles. Esse exercíco mobiliza percepções e sentimentos pessoais, abrindo infinitas possibilidades de expressão.

 

A ARTE DE SER FELIZ

Cecília Meireles

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos
dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

MAS, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

 

Se quiser conhecer um exemplo de uma paráfrase desse texto poético de Cecília Meireles, escrita por uma aluna do ensino médio, clique aqui.  

Anúncios

UM BRINDE AO APRENDER

 

Este post, apresenta mais um poema enviado pela leitora, e já colaboradora, Maria Eliane Azevedo da Silva . Ele decorre da página : Envie suas experiência de aprender com poesia, onde incentivamos nossos visitantes a participarem da construção do blog. Recordando o texto da página:

Este blog apresenta experiências de aprendizagem que incluem poemas, de diferentes maneiras.

Ele está aberto para a participação de todos os visitantes que tem alguma experiência significativa de aprender com poesia, seja como professor ou como aluno/participante. 

Anime-se a divulgar a descrição de sua experiência de aprendizagem, incluindo a  poesia, enviando-a para: nataliarodrigo@germialconsultoria.com.br.

 

Um brinde ao aprender!

Na manhã…

No entardecer…

No anoitecer da vida!

Na complexidade da pós-modernidade…

Um brinde ao gesto,

ao eterno erguer as mãos

para aprender a aprender !

Aprender a coragem de se dar

de escutar

de falar

de silenciar

de comprometer com

a educação do olhar e para o olhar.

Aprender com poesia

A arte do eterno Conhecer,

Conviver, Fazer e Ser

Em tudo, entre tudo e contudo

Aprendendo…

Na sensibilidade ao essencial,

No encantamento…

Que abre os olhos

para viver e ser mais

vida na vida!

Olhando juntos na mesma direção…

Para o eterno aprender!

Maria Eliane Azevedo da Silva

06/09/2009

TEMPO REI

 

P. Cézanne, Rochedos em LEstaque

P. Cézanne, Rochedos em L'Estaque

 As idéias de transformação, mudança, renovação suscitadas pela letra da música Tempo Rei, de Gilberto Gil, são fonte de inspiração para um exercício de criatividade no programa Letramento Digital, destinado à inclusão digital de jovens e adultos com dificuldades de leitura e escrita. A utilização da canção popular é uma constante neste programa, que procura, permanentemente em seu processo, a  mobilização individual para a leitura e escrita, com utilização do computador.

Ao final desta página, há um link disponível para abrir a descrição da situação de aprendizagem que tem esta canção como recurso instrucional.

Tempo Rei

(Gilberto Gil)

Não me iludo
Tudo permanecerá
Do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando
Todos os sentidos…

Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva
E pelo eterno vento…

Água mole
Pedra dura
Tanto bate
Que não restará
Nem pensamento…

Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!…

Pensamento!
Mesmo o fundamento
Singular do ser humano
De um momento, para o outro
Poderá não mais fundar
Nem gregos, nem baianos…

Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas
De repente ficam sujas…

Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo
Pode estar por um segundo…

Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!…(2x)

Á música pode ser ouvida no vídeo a seguir:

Para visualizar a sessão de aprendizagem, da etapa Criar, do projeto Letramento Digital, criado pela  Germinal Consultoria  em parceria com o Senac/Rio, clique aqui.

TRÊS IDADES

 

As Três Idades da Mulher, Gustav Klimt

Olhar para trás, visualizar o caminho já percorrido ajuda a organizar o pensamento. É importante, especialmente, para projetar o que se quer realizar no futuro. Isso vale para a definição de um projeto de vida, incluindo o profissional.

Elaborar um projeto de vida é uma competência que os jovens precisam desenvolver.  Essa é uma  aprendizagem proporcionada aos  jovens em programas de educação básica para o trabalho, desenvolvidos pela Germinal Consultoria.

Nesses programas, o poema Três Idades é usado em dinâmicas e situações de aprendizagem para introduzir uma reflexão sobre o projeto de vida.

Três Idades

Manuel Bandeira

A vez primeira que te vi,
Era eu menino e tu menina.
Sorrias tanto… Havia em ti
Graça de instinto, airosa e fina.
Eras pequena, eras franzina…

A ver-te, a rir numa gavota,
Meu coração entristeceu
Por que? Relembro, nota a nota,
Essa ária como enterneceu
O meu olhar cheio do teu.

Quando te vi segunda vez,
Já eras moça, e com que encanto
A adolescência em ti se fez!
Flor e botão… Sorrias tanto…
E o teu sorriso foi meu pranto…

Já eras moça… Eu, um menino…
Como contar-te o que passei?
Seguiste alegre o teu destino…
Em pobres versos te chorei
Teu caro nome abençoei.

Vejo-te agora. Oito anos faz,
Oito anos faz que não te via…
Quanta mudança o tempo traz
Em sua atroz monotonia!
Que é do teu riso de alegria?

Foi bem cruel o teu desgosto.
Essa tristeza é que mo diz…                                                                                                     

Ele marcou sobre o teu rosto
A imperecível cicatriz:
És triste até quando sorris…

Porém teu vulto conservou
A mesma graça ingênua e fina…
A desventura te afeiçoou
À tua imagem de menina.
E estás delgada, estás franzina…

Manuel Bandeira, Poesia Completa e Prosa, Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1985

O CULPADO

 

O poeta lamenta, reconhece a falha e pede desculpas por não ter aprendido a trabalhar com as mãos. Evidencia então o valor e a dignidade de um tipo de trabalho do qual se distanciou e nunca aprendeu a fazer, sentindo-se por isso incompleto como ser humano.

Assim, o poema de Neruda, O Culpado, pode introduzir o debate sobre a divisão técnica e social do trabalho e a inevitável limitação pessoal resultante das especializações, sejam manuais, intelectuais, gerenciais ou administrativas.  Pode também ser usada como parte de uma crítica da divisão taylorista do trabalho, especialmente da divisão entre os que pensam o trabalho e os que o executam.

Dessa forma, a Germinal Consultoria tem inserido O Culpado em  alguns de seus programas. O fato do poeta constatar a limitação justamente no artista e intelectual tem especial interesse, assim como a descrição que o poema faz do processo artesanal de trabalho (criativo e com domínio de todas as etapas) na confecção de uma vassoura.

———————————————————————–

O Culpado  

Eu me declaro culpado de não ter
feito, com estas mãos que me deram,
uma vassoura.

Por que não fiz uma vassoura?

Por que me deram mãos?

Para que me serviram
se só vi o rumor do cereal,
se só tive ouvidos para o vento
e não recolhi o fio
da vassoura,
verde ainda na terra
e não pus para secar os talos ternos
e não os pude unir
num feixe áureo
e não juntei um caniço de madeira
à saia amarela
até dar uma vassoura aos caminhos?

Assim foi!
Não sei como
me passou a vida
sem aprender, sem ver,
sem recolher e unir
os elementos.

Nesta hora não nego
que tive tempo,
tempo,
mas não tive mãos,
e assim, como podia
aspirar com razão à grandeza
se nunca fui capaz
de fazer
uma vassoura
uma só,
uma?

 

Pablo Neruda, “O Culpado”, in: KÜLLER, J. A., Ritos de Passagem, São Paulo, Senac, 1996. p. 27.

CÂNTICO NEGRO

 

Gravura de Vieira da Silva - Portugal

Gravura de Vieira da Silva - Portugal

 Este poema de José Régio, Cântico Negro, está transcrito exaustivamente nos blogs pessoais, provavelmente pela sua belíssima expressão do grito por liberdade de existir, contido em uma infinidade de gargantas. O texto tem sido inserido em  dinâmicas de aprendizagem criadas pela Germinal Consultoria, para uso em empresas ou escolas.

O poema tem enriquecido situações de aprendizagem que requerem, de alguma forma, a atitude firme e corajosa na descoberta de novas formas de ser ou de fazer, na mudança, no exercício do trabalho com liberdade e sentido, no repúdio à repetição e ao conformismo.  O conteúdo da poesia é muito efetivo no despertar da inicitiva e da criatividade.

No momento da  leitura, após a preparação sempre necessária, a opção pela interpretação do poema por Paulo Gracindo, disponível no CD Brasileiro Profissão Esperança, tem adicionado muita força e ainda mais emoção à vivência.

CÂNTICO NEGRO

 

“Vem por aqui” – dizem-me alguns com olhos doces,

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que os ouvisse

Quando me dizem: “vem por aqui”!

Eu olho-os com olhos lassos,

( Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:

Criar desumanidades!

Não acompanhar ninguém.

– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam os meus próprios passos…

Se o que busco saber nenhum de vós responde,

Por que me repetis: “vem por aqui”?

 

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí…

Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

 

Como, pois, sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?…

Corre, nas vossas veias, sangue velhos dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

 

Ide! tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátrias, tendes tetos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.

Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é quem me guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

 

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: “vem por aqui”!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou…

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou,

– Sei que não vou por aí!

 

 

José Régio – Antologia, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985, p. 31 – 3

 

 

Encontra-se disponível, em vídeo, uma interpretação do poema Cântico Negro por Maria Bethânia, apresentada a seguir.

O RELÓGIO

 

Representação do Relógio do Paço (Museu do Azulejo), Lisboa

Representação do Relógio do Paço da Ribeira (Museu do Azulejo), Lisboa

 Conhecemos poucas formas de utilização de O Relógio, de João Cabral de Melo Neto em situações de aprendizagem. Em uma delas, o poema é utilizado para discutir a dinâmica e a divisão do trabalho na Organização Clássica do Trabalho. A poesia é uma alternativa sensível, artística e criativa para tratar um tema sempre abordado  de forma muito  técnica. Através de O Relógio, é possível proporcionar um conhecimento e uma vivência da organização do trabalho de forma sensível e muito envolvente.

 

O RELÓGIO

                      

1. Ao redor da vida do homem

     há certas caixas de vidro,

    dentro das quais, como em jaula,

    se ouve palpitar um bicho.

 

 

    Se são jaulas não é certo;

    mais perto estão das gaiolas

    ao menos, pelo tamanho

    e quebradiço da forma.

 

    Umas vezes, tais gaiolas

    vão penduradas nos muros;

    outras vezes, mais privadas,

    vão num bolso, num dos pulsos.

 

    Mas onde esteja: a gaiola

    será de pássaro ou pássara:

    é alada a palpitação,

    a saltação que ela guarda;

 

    e de pássaro cantor,

    não pássaro de plumagem:

    pois delas se emite um canto

    de uma tal continuidade

 

    que continua cantando

    se deixa de ouvi-lo a gente:

    como a gente às vezes canta

    para sentir-se existente.

 

2.  O que eles cantam, se pássaros,

     é diferente de todos:

     cantam numa linha baixa,

     com voz de pássaro rouco;

 

     desconhecem as variantes

     e o estilo numeroso

     dos pássaros que sabemos,

     estejam presos ou soltos;

 

     têm sempre o mesmo compasso

     horizontal e monótono,

     e nunca, em nenhum momento,

     variam de repertório:

 

     dir-se-ia que não importa

     a nenhum ser escutado.

     Assim, que não são artistas

     nem artesãos, mas operários

 

     para quem tudo o que cantam

     é simplesmente trabalho,

     trabalho rotina, em série,

     impessoal, não assinado,

 

     de operário que executa

     seu martelo regular

     proibido (ou sem querer)

     do mínimo variar.

 

3.  A mão daquele martelo

     nunca muda de compasso.

     Mas tão igual sem fadiga,

     mal deve ser de operário;

 

     ela é por demais precisa

     para não ser mão de máquina,

     e máquina independente

     de operação operária.

 

     De máquina, mas movida

     por uma força qualquer

     que a move passando nela,

     regular, sem decrescer:

 

     quem sabe se algum monjolo

     ou antiga roda de água

     que vai rodando, passiva,

     graças a um fluído que a passa;

 

     que fluído é ninguém vê:

     da água não mostra os senões:

     além de igual, é contínuo,

     sem marés, sem estações.

 

     E porque tampouco cabe,

     por isso, pensar que é o vento,

     há de ser um outro fluído

     que a move: quem sabe, o tempo.

 

4.  Quando por algum motivo

     a roda de água se rompe,

     outra máquina se escuta:

     agora, de dentro do homem;

 

     outra máquina de dentro,

     imediata, a reveza,

     soando nas veias, no fundo

     de poça no corpo, imersa.

 

     Então se sente que o som

     da máquina, ora interior,

     nada possui de passivo,

     de roda de água: é motor;

 

     se descobre nele o afogo

     de quem, ao fazer, se esforça,

     e que ele, dentro, afinal,

     revela vontade própria,

 

     incapaz, agora, dentro,

     de ainda disfarçar que nasce

     daquela bomba motor

     (coração, noutra linguagem)

 

     que, sem nenhum coração,

     vive a esgotar, gota a gota,

     o que o homem, de reserva,

     possa ter na íntima poça.                                

                                                      João Cabral de Melo Neto, Antologia Poética, José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1979, p.68                          

 

 Clique aqui para abrir a página Dinâmica com O Relógio. Ela faz parte da primeira sessão de aprendizagem da Estação de Trabalho de Administração e Organização, de uma versão alternativa do Programa de Educação para o Trabalho, desenvolvida pela Germinal Consultoria. A estação de trabalho utiliza o teatro como referência metodológica. O excerto, Cena VII, do Ato I, foi retirado do Manual do Instrutor. Lá, o poema é usado como roteiro para uma ação dramática. Esse uso da poesia é exemplar. Dramatizar um poema é uma forma de interpretá-lo e de perceber que, como texto simbólico que é, pode ser objeto de múltiplas interpretações.

ANINHA E SUAS PEDRAS

 

O poema de Cora Coralina, Aninha e suas pedras, chama a atenção para as infinitas possibilidades de reinício e de reinvenção das pessoas. Aponta para a proatividade, o empreendedorismo e a criatividade como alternativas disponíveis ao ato de vontade. Assim, o poema tem iluminado o início de inúmeros trabalhos de aprendizagem e desenvolvimento. A atitude a ser assumida pelos envolvidos em um processo  de desenvolvimento  pessoal e profissional sempre é muito importante para os resultados que se quer atingir.

Aninha e suas pedras

 

Não te deixes destruir…

Ajuntando novas pedras

e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha

um poema.

E viverás no coração dos jovens

e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

Toma a tua parte.

Vem a estas páginas

E não entraves seu uso

aos que têm sede.

 

 

CORALINA, C. Vinténs de cobre: meias confissões de Aninha.  São Paulo: Global, 2001. 

 

 Clique aqui para abrir a página Dinâmica de Aquecimento com ANINHA E SUAS PEDRAS, retirada das Referências para a Ação Docente, da sessão de aprendizagem 4/7, da Oficina de Emprendedorismo do Projeto Trilha Jovem, elaboradas pela Germinal Consultoria para o Instituto de Hospitalidade.  Nela, o poema é usado como aquecimento e introdução  às questões específicas do empreendedorismo e excelência profissional.