UM BRINDE AO APRENDER

 

Este post, apresenta mais um poema enviado pela leitora, e já colaboradora, Maria Eliane Azevedo da Silva . Ele decorre da página : Envie suas experiência de aprender com poesia, onde incentivamos nossos visitantes a participarem da construção do blog. Recordando o texto da página:

Este blog apresenta experiências de aprendizagem que incluem poemas, de diferentes maneiras.

Ele está aberto para a participação de todos os visitantes que tem alguma experiência significativa de aprender com poesia, seja como professor ou como aluno/participante. 

Anime-se a divulgar a descrição de sua experiência de aprendizagem, incluindo a  poesia, enviando-a para: nataliarodrigo@germialconsultoria.com.br.

 

Um brinde ao aprender!

Na manhã…

No entardecer…

No anoitecer da vida!

Na complexidade da pós-modernidade…

Um brinde ao gesto,

ao eterno erguer as mãos

para aprender a aprender !

Aprender a coragem de se dar

de escutar

de falar

de silenciar

de comprometer com

a educação do olhar e para o olhar.

Aprender com poesia

A arte do eterno Conhecer,

Conviver, Fazer e Ser

Em tudo, entre tudo e contudo

Aprendendo…

Na sensibilidade ao essencial,

No encantamento…

Que abre os olhos

para viver e ser mais

vida na vida!

Olhando juntos na mesma direção…

Para o eterno aprender!

Maria Eliane Azevedo da Silva

06/09/2009

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Edite

 

Paisagismo Brasil

Paisagismo Brasil

Desenvolver um programa de formação profissional para empregadas domésticas implica, necessariamente, entrar no  íntimo das atividades de uma moradia. 

 O poema Edite exalta a mulher simples imersa no mundo dos afazeres caseiros, lembrando detalhes, movimentos e cheiros característicos da rotina dos trabalhos.

Edite é quase uma fada dos serviços domésticos, cuja presença transcende, certamente, o simples fazer. Nesse sentido, o poema Edite foi usado como um cartão de boas vindas  à profissão de empregada doméstica, olhada de uma forma mais complexa e sensível do que o usual.

Com este poema de Cecília Meireles, o programa de Formação de Empregadas Domésticas do Senac/SP, elaborado pela Germinal Consultoria, foi iniciado.

 

EDITE

Cecília Meireles

 

Cantemos Edite, a minha loura, branca e azul,

cujo avental de linho é a alegre vela de um barco

num domingo de sol, e cuja coifa é uma gaivota

planando baixa, pelo quarto.

 

Cantemos Edite, a anunciadora da madrugada,

que passa carregando os lençóis e as bandejas,

deixando pelos longos corredores

frescuras de jardim e ar de nuvem caseira.

 

Cantemos Edite, a de mãos rosadas, que caminha

com sorriso tão calmo e palavras tão puras:

sua testa é um canteiro de lírios

e seus olhos, miosotis cobertos de chuva.

 

Cantemos Edite, a muito loura, branca e azul,

que à luz ultravioleta se converte em ser abstrato,

em anjo roxo e verde, com pestanas incolores,

que sorri sem nos ver e nos fala calado.

 

Cantemos Edite, a que trabalha silenciosa

preparando todas as coisas desta vida,

porque a qualquer momento a porta deste mundo se abre

e chega de repente o esperado Messias.[1]

 


[1] Poesia Completa/ Cecília Meireles. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. vol 1 – pag. 579

PARA “A SEBASTIANA “

 

 

La Sebastiana - casa de Neruda

 O poema Para “La Sebastiana” entrou pela primeira vez como recurso instrucional numa situação de aprendizagem da Oficina de Artes Mecânicas de um Curso para Caseiros, desenvolvido pela  Germinal Consultoria . Neste caso, havia uma correspondência direta com os temas em estudo. Depois o poema foi inserido em outras situações de aprendizagem de diferentes áreas. Para “La Sebastiana” descreve com poesia a emoção da construção e da concretização do projeto.

Neruda escreveu o poema enquanto construia sua própria casa. Mas ele pode ser referido a qualquer outro projeto ou construção humana.  De preferência deve ser usado em projetos que tenham a possibilidade de  mobilizar intensamente as emoções de seus protagonistas.

 

Para “A Sebastiana”                                                                            

Eu construi a casa.

Primeiramente fi-la  de ar.
Depois hasteei a bandeira 
e deixei-a pendurada
no firmamento, na estrela,
na claridade e na escuridão.

Cimento, ferro, vidro,
eram a fábula,
valiam mais que o trigo e como o ouro,
era preciso procurar e vender,
e assim um camião chegou:
desceram sacos  e mais sacos,
a torre fincou-se na terra dura – mas isto não basta, disse o construtor,
falta cimento, vidro, ferro, portas – 
e nessa noite não dormi. 

Mas crescia,
cresciam as janelas
e com pouca coisa,
projetando, trabalhando,     
arremetendo-lhe com o joelho e o ombro
cresceria até ficar completada,
até poder olhar pela janela,
e parecia que com tanto saco
poderia ter teto e subir
e agarrar-se, por fim, à bandeira
que suspensa do céu agitava ainda as suas cores.

Dediquei-me às portas mais baratas,
às que morreram                                                                     
e foram arrancadas das suas casas,
portas sem parede, rachadas,
amontoadas nas demolições,
portas já sem memória,
sem recordação de chave,  e disse: “Vinde
a mim, portas perdidas:
dar-vos-ei casa e parede
e mão que bate,
oscilareis de novo abrindo a alma,
velareis o sono de Matilde
com as vossas asas que voaram tanto.”

Então a pintura
chegou também lambendo as paredes,
vestiu-as de azul-celeste e cor-de-rosa
para que se pusessem a bailar.
Assim a torre baila,
cantam as escadas e as portas,
sobe a casa até tocar o mastro,
mas o dinheiro falta: faltam pregos,
faltam aldrabas, fechaduras, mármore.
Contudo, a casa
vai subindo
e algo acontece, um latejo
circula nas suas artérias:
é talvez um serrote que navega
como um peixe na água dos sonhos
ou um martelo que pica
como um pérfido pica-pau
as tábuas do pinhal que pisaremos.

Algo acontece e a vida continua.

A casa cresce e fala,
aguenta-se nos pés,
tem roupa pendurada num andaime,
e como pelo mar a primavera
nadando como uma ninfa marinha
beija a areia de Valparaíso,

não se pense mais: esta é a casa:
tudo o que lhe falta será azul,
agora só precisa de florir.
E isso é trabalho da Primavera.

Neruda, Pablo, Plenos Poderes, Tradução de Luís Pignatelli, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1962, p.73.

Se quiser visualizar a sessão de aprendizagem da oficina Artes Mecânicas para caseiros, criada e desenvolvida pela Germinal Consultoria para o Senac/SP, clique aqui.

PRECE

 

foto: Mel de Carvalho

O poema Prece foi musicado por André Luiz Oliveira, juntamente com alguns dos outros poemas do livro Mensagem, de Fernando Pessoa, incluindo Padrão, já publicado neste blog.

Em situações ou dinâmicas de aprendizagem na empresa ou na escola, pode-se  optar por usar a música na interpretação de Gilberto Gil, disponível no CD Mensagem.

O poema Prece fala da possibilidade humana de renascimento, sempre presente, ainda que a situação esteja distante dos tempos áureos. Aponta a chama da vida como a condição única para novas viagens, novos projetos, novas distâncias a percorrer.

Uma leitura ou a audição da música com o acompanhamento do texto do poema é bastante pertinente nas situações de aprendizagem em que é necessário um estímulo para a mudança. Quando a descrença, ou desesperança, ameaça comprometer o desenvolvimento de uma proposta de trabalho, o poema Prece dá o toque certo e aponta o caminho para a conquista da distância possível: a que seja nossa!

O poema tem sido inserido em  dinâmicas de aprendizagem criadas pela Germinal Consultoria, para uso em empresas, escolas e órgãos públicos. 

    PRECE                                        

  Fernando Pessoa  

 

Senhor, a noite veio e a alma é vil.

Tanta foi a tormenta e a vontade!

Restam-nos hoje, no silêncio hostil,

O mar universal e a saudade.

 

Mas a chama, que a vida em nós criou,

Se ainda há vida ainda não é finda.

O frio morto em cinzas a ocultou:

A mão do vento pode ergue-la ainda.

 

Dá o sopro, a aragem, – ou desgraça ou ânsia –

Com que a chama do esforço se remoça,

E outra vez conquistemos a Distância –

Do mar ou outra, mas que seja nossa!

 

 

Ouça o poema musicado e interpretado por André Luiz Oliveira.

Se preferir ouvir Prece na voz de Gilberto Gil, clique no link abaixo:

http://leaoramos.blogspot.com/2007/01/fernando-pessoa-gilberto-gil-em-prece.html

MADRIGAL MELANCÓLICO

 

Poster do filme Basquiat

Neste poema, Madrigal Melancólico, Manuel Bandeira faz uma declaração de amor bastante singular. Nega-se a atribuir valores absolutos para qualidades como a beleza, a inteligência, a espiritualidade, o instinto maternal, e outras, ao mesmo tempo em que realça-as em seu conjunto na pessoa amada. Especialmente em relação à beleza, coloca-a como um conceito e como algo triste por ser frágil e incerta.

 

 

Este enfoque do poema, o da beleza,  foi o mote para uma discussão sobre a abordagem de um Estação de Trabalho (oficina, curso) de Apresentação Pessoal, Moda e Beleza. Usado na  introdução da Estação de Trabalho, ele serviu fundamentalmente para quebrar a expectativa de que regras da boa apresentação estão todas postas, basta conhecê-las com profundidade para não errar nunca. A partir daí, a opção foi abordar e discutir a apresentação pessoal de forma mais abrangente e dinâmica, abandonando as regras estéticas rígidas do certo e errado, que existem dissociadas da individualidade das pessoas. Tal qual o desfecho do poema, buscou-se privilegiar, acima de tudo, a vida!

 

 

“O Que Eu Adoro em ti,

Não é a tua beleza.

A beleza, é em nós que ela existe.

 

A beleza é um conceito.

E a beleza é triste.

Não é triste em si,

Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

 

O que eu adoro em ti,

Não é a tua inteligência.

Não é o teu espírito sutil,

Tão ágil, tão luminoso,

– Ave solta no céu matinal da montanha.

Nem é a tua ciência

Do coração dos homens e das coisas.

 

O que eu adoro em ti,

Não é a tua graça musical,

Sucessiva e renovada a cada momento,

Graça aérea como o teu próprio pensamento.

Graça que perturba e que satisfaz.

 

O que eu adoro em ti,

Não é a mãe que já perdi.

Não é a irmã que já perdi.

E meu pai.

 

O que eu adoro em tua natureza,

Não é o profundo instinto maternal

Em teu flanco aberto como uma ferida.

Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.

O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!

O que eu adoro em ti, é a vida”

 

Bandeira, Manoel, Madrigal Melancólico, in: Poesia Completa e Prosa / O Ritmo Dissoluto, Rio de Janeiro. Editor Nova Aguilar, 195, p.189.

 

 

Clique aqui para abrir a página Discussão de uma Abordagem de Apresentação Pessoal com Madrigal Melancólico. O texto foi retirado da Introdução da Estação de Trabalho de Apresentação Pessoal, Moda e Beleza, de uma versão alternativa do PET – Programa de Educação para o Trabalho – elaborada pela Germinal Consultoria.

ANINHA E SUAS PEDRAS

 

O poema de Cora Coralina, Aninha e suas pedras, chama a atenção para as infinitas possibilidades de reinício e de reinvenção das pessoas. Aponta para a proatividade, o empreendedorismo e a criatividade como alternativas disponíveis ao ato de vontade. Assim, o poema tem iluminado o início de inúmeros trabalhos de aprendizagem e desenvolvimento. A atitude a ser assumida pelos envolvidos em um processo  de desenvolvimento  pessoal e profissional sempre é muito importante para os resultados que se quer atingir.

Aninha e suas pedras

 

Não te deixes destruir…

Ajuntando novas pedras

e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha

um poema.

E viverás no coração dos jovens

e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

Toma a tua parte.

Vem a estas páginas

E não entraves seu uso

aos que têm sede.

 

 

CORALINA, C. Vinténs de cobre: meias confissões de Aninha.  São Paulo: Global, 2001. 

 

 Clique aqui para abrir a página Dinâmica de Aquecimento com ANINHA E SUAS PEDRAS, retirada das Referências para a Ação Docente, da sessão de aprendizagem 4/7, da Oficina de Emprendedorismo do Projeto Trilha Jovem, elaboradas pela Germinal Consultoria para o Instituto de Hospitalidade.  Nela, o poema é usado como aquecimento e introdução  às questões específicas do empreendedorismo e excelência profissional.